Curso técnico torna mais fácil inserção de jovens no mercado | Senac Paraíba

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A transição para o mercado de trabalho é mais fácil para jovens que tenham feito curso técnico. É o que mostram os primeiros resultados da pesquisa “Transição da Escola para o Trabalho”, produzida pela consultoria IDados e divulgada no dia 25 de junho, em webinar que contou com apoio de CNC, Sesc e Senac. O estudo mostra ainda que o curso técnico contribui para que o jovem passe menos tempo no mercado de trabalho informal. E revela que a empregabilidade é maior para os formados nas áreas de saúde e de ciências sociais aplicadas.

A pesquisa foi realizada com 3.527 jovens na faixa dos 16 aos 29 anos de idade. A premissa era responder três questões básicasmapear as principais dificuldades na transição do jovem para o mercado de trabalho, entender como a educação poderia facilitar sua inserção profissional e mostrar como reter o jovem no emprego e reduzir a rotatividade.

No webinar, mediado pelo repórter Hugo Passarelli, do jornal Valor Econômico, o pesquisador-líder da área de Mercado de Trabalho da Idados, Bruno Ottoni, fez a apresentação da pesquisa, seguida de um debate com representantes do Senac e do Sesc. Participaram ainda o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, o deputado federal Gastão Vieira (PROS-MA) e o diretor-presidente do IDados, Paulo Oliveira.

Continuar estudando: uma preocupação

Segundo o levantamento, os jovens tendem a ter uma rotatividade alta nos anos iniciais de trabalho – comportamento que vai mudando com o passar do tempoPor outro lado, constata-se que a empregabilidade é menor para aqueles que trocam muito de emprego no início da carreira.

Além de mostrar a relevância dos cursos técnicos, a pesquisa demonstra que mais de 70% dos jovens se dizem satisfeitos em seus empregos. E sugere que essa satisfação esteja relacionada às políticas de benefícios das empresas.

Os resultados trazem também um dado que gera preocupação no atual cenário de pandemia, com o desemprego provocado pela economia em crise: com as famílias em dificuldades financeiras, muitos jovens talvez tenham de abandonar os estudos. Conforme a pesquisa, os que param de estudar são justamente os que têm maiores dificuldades para ocupar espaço no mercado de trabalho formal.

Tadros: “Rápida inserção no mercado”

presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou que o setor terciário é o maior empregador do país, responsável por quase 65% do Produto Interno Bruto brasileiro. No entanto, acrescentou, o país tem um déficit de escolaridade e mão de obra qualificada da ordem de sete anos em comparação com os país mais desenvolvidos. “No nosso caso, que temos 12,5% da força efetiva de trabalho desempregada, hoje enfrentamos a pandemia, que é a primeira crise da sociedade de consumo. Precisamos rapidamente reverter esse processo, que atinge profundamente os jovens. E aí entra o Sistema S, que é de suma importância. Temos cursos profissionalizantes e faculdades de tecnologia, que permitem rápida inserção no mercado de trabalho”, observou.

Ensino integrado

A gerente de Desenvolvimento Profissional do Departamento Nacional do Senac, Daniela Papelbaum, enfatizou o diferencial da experiência prática proporcionada pela educação profissional. “Objetivamente, muitos currículos têm estágio integrado, então o aluno já sai da formação com uma passagem pelo mercado formalizada, com experiencia e certificação”, explicou. “Mas essa questão é muito mais ampla. Um curso de educação profissional é uma grande vivência nos processos produtivos. Essa espinha dorsal de qualquer programação de educação profissional cria um diferencial na hora de uma entrevista de trabalho”.

Ela lembrou que os programas do Senac são feitos em conformidade com as demandas do setor produtivo. “Fazemos fóruns setoriais para escuta do mercado. E essa relação próxima aparece também quando a gente pensa em termos de metodologia de desenvolvimento profissional. Na hora da contratação, o aluno que fez o ensino médio integrado com a educação profissional está um passo adiante”.

Daniela destacou que o aluno que passa pela experiência do ensino integrado – educação básica e profissional caminhando juntas – tem resultados melhores em testes de desempenho como o Enem. Historicamente, o aluno concluía o ensino médio para então buscar uma formação profissional. Com isso, ele perdia tempo e retardava sua entrada no mercado. “Pesquisas feitas pelo Senac evidenciam que os resultados do Enem dos alunos egressos do ensino médio integrado à educação profissional são melhores do que os dos alunos que só fizeram o ensino médio”, anunciou. A razão, segundo Daniela, é que a educação profissional traz concretude às habilidades socioemocionais e às competências que preparam para o ensino superior, que são trabalhadas no ensino médio, na maioria das vezes, de forma muito abstrata. “Quando o aluno tem a oportunidade de vivenciar isso no dia a dia, ele eleva sua capacidade de desenvolver esses conhecimentos”.

A força da aprendizagem

Inês Pereira, gerente de Prospecção e Avaliação Educacional do Departamento Nacional do Senac, destacou os programas de aprendizagem, que representam uma oportunidade de emprego formal para os jovens. “Uma característica determinante é a obrigatoriedade de esse jovem estar vinculado à educação básica”, acrescentou. “O vínculo minimiza as questões de evasão escolar, um problema sério no Brasil”.

Aprendizagem, no Senac, conjuga formação educacional com a prática na empresa. E todo ano são feitas pesquisas com os alunos formados. “A gente observa que os jovens buscam no programa de aprendizagem uma experiencia profissional. Cerca de 60% desses egressos afirmaram isso. E 15% queriam aprender uma profissão. Há uma escolha consciente por parte deles, porque é um programa de quase dois anos que impõe a obrigatoriedade de se comprometer com a escola e, ao mesmo tempo, manter a prática na empresa”, disse Inês.

Ela menciona ainda a percepção dos jovens quanto ao aumento das suas chances de conseguir o emprego. “Nossas pesquisas mostram que 82% destacaram a importância da experiência adquirida após a participação no programa. Ou seja: eles têm uma sensação elevada de que são capazes de se inserir no mercado de trabalho, esse é um diferencial competitivo. E quase 70% dos egressos estavam inseridos no mercado de trabalho no momento da pesquisa. Destes, também 70% estavam com carteira de trabalho assinada”.

A progressão escolar dos participantes do programa também impressiona. Mais de 80% dos egressos concluíram o ensino médio, o ensino técnico ou cursaram o ensino superior. E mesmo em momentos de crise econômica o programa de aprendizagem atrai os jovens. “A taxa de desocupação desses jovens durante a crise de 2014 era de 21%. Em 2017, era de 39%. Mas quando a gente avalia nesse mesmo período os vínculos empregatícios dos aprendizes, o crescimento foi de 6%, mesmo num momento de recessão”, observou Inês.

Acesse a pesquisa

O relatório completo com os primeiros resultados da pesquisa “Transição da Escola para o Trabalho” está disponível aqui.

E o webinar pode ser assistido na íntegra aqui.

Departamento Nacional Senac

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